Cuecas na Cozinha

Cuecas na Cozinha


Naia Restaurante

Posted: 01 Jul 2021 11:37 AM PDT

O mar é fascinante, misterioso, imponente, desperta um misto de amor e temor naqueles que sabem reverenciá-lo. Há dias de mansidão profunda e outros que dizem estar bravo, revolto, agressivo… Mas, já perceberam uma coisa, a espuma do mar é sempre delicada, por vezes parece até um bordado de renda atirado na água. Creio então, que essa delicadeza foi influência decisiva no novo Naia Restaurante (Naia é espuma do mar em basco).

Naia Restaurante _Aquario

A inspiração do chef Tuca Mezzomo – segundo contou em nossa conversa um dia antes da inauguração, quando fiz a visita e tive a oportunidade de provar o cardápio – veio do seu tempo de faculdade de gastronomia em Balneário Camboriú (SC) e viagens pela Europa.

Tuca é um chef jovem, mas logo na estreia com seu primeiro restaurante, o imperdível Charco (#ficaadica visite!), mostrou a que veio.

Nascido em Passo Fundo (interior do RS), trouxe à mesa ingredientes de qualidade de pequenos produtores, mostrou um Sul contemporâneo, autoral; porém, sem deixar de valorizar sua história e relação com o fogo.

Naia Restaurante _OstrasOstras de Santa Catarina e Cananéia, Mexilhões e Salada de Caranguejo.

Naia Restaurante

Nesse seu segundo negócio na capital paulista, a proposta é completamente outra. Se o Charco é intimista, penumbra, madeira; o Naia é descontração, luz, água. Tanto que logo na entrada um tanque de 250 litros de água salgada abriga espécies marinhas vivas.

"Nossas conchas chegam, principalmente, do litoral de São Paulo e Santa Catarina" explica o chef.

Curioso com a novidade perguntei então, de onde veio a ideia da nova empreitada?

Das suas memórias dos tempos de faculdade de gastronomia em Balneário Camboriú (SC), quando pescadores traziam baldes de mariscos frescos, que viravam caldeiradas despretensiosas; comidas, sem cerimônia, acompanhadas de uma bebida.

Bem como, dos bares de ostras e frutos do mar que conheceu em diversas visitas a Paris. Locais que simplificam a cerimônia francesa à mesa. Bares, igualmente, vistos em Londres. Além de, é claro, cidades litorâneas ao redor do mundo.

Enfim, a proposta é uma descontração praiana na cidade grande!

Naia Restaurante _Pastel de LagostaPastel de Lagosta

Bar de Ostras e Frutos do Mar + Restaurante

Dessa forma, quer que as pessoas passem por lá para um final de tarde, seja pra comer apenas ostras e petiscos acompanhados de um belo drink (já falaremos de outro sócio do Naia, o premiado bartender, Jean Ponce) ou então, para uma refeição completa com toque de grelha.

O cardápio é enxuto e muda de acordo com a vontade do mar.

"Valorizamos os pescados brasileiros com toda a qualidade e frescor do nosso litoral. Trabalhamos com um menu sazonal, servindo o que o mar nos traz de melhor", conta Tuca.

Naia Restaurante _Ricota Artesanal com BottargaRicota Artesanal com Bottarga

Naia Restaurante – Menu

Comece com as iguarias do Aquário. Entre elas ostras de Santa Catarina (R$44) ou de Cananéia (R$49). Mexilhões servidos com vinagrete cortado e temperado com maestria (R$34) ou a Salada de Caranguejo (R$46) que remete a um familiar e saboroso salpicão.

No capítulo Para Beliscar:

Pão e Ricota Artesanal com Bottarga (R$24) – a ricota é de uma leveza impressionante, quase uma textura de espuma. A bottarga, ova de peixe salgada e seca, tem sabor delicado e as raspas de limão trazem um cítrico desejável.

Os Pasteizinhos de Lagosta (R$42) tem fritura sequinha e recheio que preserva o sabor e a textura do crustáceo. Difícil é não comer vários! Delicadeza é a Flor de Abobrinha Recheada com Camarão Rosa (R$36).

Naia Restaurante _EndiviaEndívia, Creme de Vôngole e Molica

Da Grelha saem:

A imperdível Endívia, Creme de Vôngole e Molica (R$32). O vegetal caprichosamente defumado, ganha um aveludado creme de vôngoles e textura crocante da Molica (farinha de pão).

Bem como, a inusitada Couve-Flor defumada servida com um gelatinoso Roti de Algas e raspas de Bottarga (R$32).

Naia Restaurante _Arroz Pegado de Polvo

Pratos Principais

São dois difíceis de escolher:

Arroz Pegado de Polvo (R$84) – arroz preparado com fundo intenso de sofrito caramelizado com cebolas e temperos, encorpado com guanciale (bochecha) e pé de porco.

Servido com polvo cozido e depois grelhado para ganhar toque defumado. A combinação perfeita já conhecida de porco e polvo, acrescida do sabor tostado do arroz pegando na panela.

Naia Restaurante _Peixe do Dia

Peixe do Dia com Ervas (R$76) – na minha visita, o que o mar havia oferecido para o Naia Restaurante foi o Beijupirá. Que peixe! Carnudo, posta alta de textura firme e carne branca.

Foi pescado no litoral do Rio de Janeiro, mas é um peixe que ocorre no Brasil do Amapá ao Rio Grande do Sul. Gosta de águas mais quentes e alimenta-se de outros peixes, crustáceos e lulas.

"Contamos com parceiros que mapeiam pescadores locais, privilegiando a pesca sustentável e responsável", explica o chef que utiliza, basicamente, peixes do litoral de São Paulo e Rio de Janeiro.

Naia Restaurante _Picolé de Manga

Sobremesa

A sobremesa quando você lê no cardápio não dá nada por ela, mas te digo: Prove e Seja Feliz! Gostinho de infância de praia.

O Picolé de Manga com Maracujá (R$24) é um sorbet pura manga madura, mergulhado em manteiga de cacau com sementes de maracujá, regado com calda de maracujá. Obra da chef confeiteira Juliana Coladela.

Naia Restaurante _Drink NaiaDrink Naia

Carta de Drinks

Ir ao Naia Restaurante e não provar os drinks do Jean Ponce é perder parte da sua essência.

Ponce, premiado bartender do famoso Guarita Bar, agora também sócio no Naia, preparou drinks que fogem do lugar comum, evocando o frescor da brisa marítima (traduzida em acidez) e o toque salgado que remete ao mar.

A carta enxuta carrega, igualmente, a proposta sazonal do restaurante.

Na onda dos drinks menos alcoólicos e homenageando o nome da casa, o Naia (R$38) leva apenas 30ml de álcool.

Na composição: Jerez Manzanilla, Gin Nordés (preparado com Uvas Alvarinhas), o azedinho do Maracujá e Espuma de Água do Mar (feita na casa com tônica, limão, sal e amor; segundo me contou o Jean). Pra finalizar raspas de cambuci.

Naia Restaurante _Drink Sao Elmo

O São Elmo (R$38) leva St.Verge, destilado orgânico de pera asiática produzido pela Weber Haus em Ivoti no Rio Grande do Sul + Concentrado de Abacaxi, Mel de Abelhas Nativas, Gotas de Balsâmico e Sal Negro. Drink refrescante, cítrico, que dá vontade de continuar bebendo.

Naia Restaurante _Drink Mar Vermelho

Preparado com Gin Brasileiro YvyMar, que possui na composição alga kombu + Redução de Framboesa com Hibisco concentrado, que avermelham o drink + Gotas de Amargor para alcançar o Equilíbrio e Amor; o Mar Vermelho (R$36) é mais uma boa pedida para acompanhar os pratos do Naia.

Naia Restaurante _Drink Gyro

Coquetel “comestível”

Será possível um coquetel te passar a impressão de ser comestível? Claro que sim! O Gyro (R$38), por exemplo, é pra ser bebido aos pequenos goles, como se fossem colheradas.

Feito com Creme de Cupuaçu é uma bebida densa sem ser pesada, que leva ainda Blend de Bourbon com Rum, Concentrado de Mate e Folhas de Hortelã.

Naia Restaurante _Drink Jereza

Falando em comestível, chegamos então ao Jereza (R$40). Preparado com Jerez, Aguardente infusionada com Folhas de Tangerina e Vermute Riesling. Chega "tampado" com uma concha que traz em seu interior Folha de Alga Marinha e Castanhas de Caju torradas.

Enfim, vá com um apetite curioso! Combine, experimente, vivencie a proposta que o Tuca e o Jean elaboraram com tanto cuidado!

Naia Restaurante – serviço completo acesse 

Aliás, pra sua informação com relação a pratos e preços, a visita aconteceu em 30/06/2021



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Curso de Cozinha Pra Conquistar

Posted: 21 Jun 2021 08:53 AM PDT

Não poderia estar mais feliz ao dar essa notícia pra vocês! Então #ficaadica : Vem aí o Curso de Cozinha Pra Conquistar ! Um projeto totalmente inédito no mercado!

Curso de Cozinha Pra Conquistar

Meus livros Sex and the Kitchen – o Sexo e a Cozinha, que fazem sucesso entre leitoras e leitores brasileiros e de outras partes do mundo; que já ganharam uma arena de debate na Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Bem como, se transformaram em jantares especiais pelas mãos de chefs de diversos restaurantes e hotéis do Brasil. Agora vão se tornar inspiração para o Curso de Cozinha Pra Conquistar com receitas do chef italiano da Andrea Chiavacci. 

Curso de Cozinha Pra Conquistar

Estreia 7 de julho a primeira edição do curso de cozinha ONLINE e AO VIVO Pra.conquistar |SEX AND THE KITCHEN.

Organizado pela Pra.to, startup de cursos enogastronômicos à distância, dos sócios e chefs Andrea Chiavacci e Duval Ferreira.

Inspirado no livro Sex and the Kitchen – o Sexo e a Cozinha, romance apimentado pela gastronomia, escrito em dois volumes, que aborda as dificuldades dos relacionamentos modernos, relatando os encontros e desencontros de seus protagonistas entre talheres e taças.

E, dessa forma, debatendo muitas questões existenciais de forma leve, natural e , por vezes, divertida.

Curso de Cozinha Pra Conquistar

Há algum tempo transformei meus livros, Sex and the Kitchen – o Sexo e a Cozinha – Parte 1 (lançado no final de 2013) e Sex and the Kitchen – o Sexo e a Cozinha – Parte 2 (lançado no final de 2018) em uma experiência gastronômica e literária.

Assim, chefs de diversos restaurantes e hotéis de todo o Brasil, criaram jantares únicos que contaram com a minha presença lendo trechos da história.

Foram cerca de 100 eventos presenciais antes da pandemia e que devo retomar logo que todos estiverem vacinados e os eventos possam voltar a acontecer com segurança.

Curso de Cozinha Pra Conquistar

Curso de Cozinha Pra Conquistar

Agora, os fundadores da Pra.to me convidaram para juntos criarmos um curso inédito no mercado.

O chef toscano e professor, Andrea Chiavacci, desenvolveu 9 receitas especiais – entrada, prato principal e sobremesa – que prometem aguçar todos os sentidos.

Além das receitas com dicas, os alunos aprendem sobre a história dos ingredientes, a origem dos pratos e o passo-a-passo de cada receita através de vídeos e imagens de apoio.

Ao longo da semana, podem colocar o aprendizado em prática no seu próprio tempo.

Assim também, podem apresentar, na aula seguinte, caso queiram, seus resultados, além de compartilharem sua vivência.

Então, se surgirem dúvidas entre uma aula e outra, há um canal à disposição dos alunos.

Para cada cardápio do Curso de Cozinha Pra Conquistar, também será sugerido um vinho, cujas características e notas de harmonização serão comentadas pelo chef, durante a aula.

Completando enfim, a experiência do Pra.conquistar |SEX AND THE KITCHEN eu, Alessander Guerra, farei leituras de trechos da história.

Em resumo, curiosidades, boas conversas e risadas é que não vão faltar.

Curso de Cozinha Pra Conquistar

Serviço

+ informações e inscrições acesse o link.

O curso ONLINE e AO VIVO possui 4 aulas com duração de 2 horas cada.

25 vagas

A primeira turma acontecerá entre os dias 7 e 28 de julho de 2021.

Dessa forma nos encontraremos sempre às 4as feiras das 19h às 21h em plataforma fechada.

O valor R$480 (em até 12x) inclui então: aulas, material didático e certificado.

Bem como, exemplar autografado do meu livro Sex and the Kitchen – o Sexo e a Cozinha – Parte 1.

Durante 1 ano as aulas gravadas ficam à disposição do aluno na plataforma.



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Homus de Abóbora

Posted: 28 Apr 2021 01:07 PM PDT

Antes de mais nada, cabe informar que essa receita de Homus de Abóbora Cabotiá é uma versão do tradicional Homus de Grão-de-bico. Se preferir, pode chamar de Pasta de Abóbora.

Grão de bico

Segundo informações publicadas no Facebook do Consulado Geral do Líbano no Rio de Janeiro, é difícil determinar a origem do prato Homus bi Tahine (pasta de grão-de-bico com gergelim), porque ninguém sabe ao certo quem o inventou.

Assim, a única certeza é que os ingredientes desse prato já existem há séculos.

O grão-de-bico é um dos legumes mais antigos cultivados na história da humanidade.

Bem como, a tahine, pasta de gergelim, já foi mencionada em livros de culinária árabe do século XIII.

Porém, alguns historiadores acreditam que Beirute (capital do Líbano) por ser uma cidade que tem uma herança culinária vibrante e abundância de limões, pode ser uma boa candidata ao título.

Enfim, se por um lado não há certeza da origem, por outro pode-se afirmar que Beirute foi responsável pelo desenvolvimento do prato e inserção no paladar do povo.

Homus bi Tahine (original)

De acordo com receita publicada pelo próprio consulado o Homus bi Tahine original pode ser feito assim:

250 g de grão de bico cozido,

2 colheres de sopa de tahine,

1 dente de alho,

½ limão espremido,

azeite à gosto

Tudo batido no liquidificador. A água do cozimento do grão-de-bico vai ajudar a fazer um creme homogêneo.

Homus de AbóboraHomus de Abóbora (Pasta de Abóbora)

Feita a introdução e dada a receita original, vamos então à adaptação.

Em primeiro lugar, o que eu gosto nas receitas de homus é que dão tanto para comer como aperitivo, numa torrada ou pão sírio; quanto para servir como base de prato principal, acompanhada de vegetais grelhados, carnes, castanhas e tudo mais que te der na telha.

Além do homus de grão-de-bico que eu amo, dá pra variar com outros ingredientes como abóbora e beterraba, por exemplo.

Essa receita, aprendi com minha amiga Nat que, ao invés de tahine (pasta de gergelim árabe) usou pasta de amendoim, que também funciona super bem. Eu prefiro com tahine, foi como fiz o meu.

Receita de Homus de Abóbora

Ingredientes

400g de abóbora com casca, assada

2 colheres de sopa de tahine

1 dente de alho

suco de 1 limão-taiti

3 colheres de sopa de azeite de oliva

sal à gosto

pimenta-do-reino à gosto

um pouco de água filtrada para deixar a pasta mais cremosa.

Modo de Preparo

Assar a abóbora com casca (cortada em pequenos pedaços) em forno 200 graus por 30 minutos ou até amolecer.

Bater no processador ou liquidificador, as abóboras assadas com casca e os demais ingredientes.

Acrescente água, aos poucos, para deixar com consistência um pouco mais cremosa, porém, firme.

Regar com azeite de oliva.



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Nhoque de batata assada

Posted: 20 Apr 2021 11:44 AM PDT

Eu aprendi essa receita de Nhoque de batata assada com o chef italiano Volmar Zocche.

Nhoque de batata assada

Porque esse nhoque de batata assada fica diferente?

Antes de mais nada, porque quando a gente assa a batata, além do sabor que ela pega no forno com o azeite e temperos. O fato de assar faz com que ela perca água.

O que a gente quer quando vai fazer um nhoque é exatamente isso, que a batata perca umidade, porque quanto menos água ela tiver, menos farinha precisaremos acrescentar.

O resultado então é: mais sabor de batata no nhoque.

Por outro lado, quando fazemos nhoque da forma mais conhecida que é cozinhando as batatas, deixamos elas mais “aguadas”, precisando acrescentar mais farinha.

Observação: A foto de abertura é do Nhoque com molho de gorgonzola e rúcula

Nhoque de batata assada

Ingredientes

1 kg de Batata asterix

2 ovos

150g de farinha de trigo e + um pouco pra dar ponto

2 ramos de alecrim fresco

azeite à gosto

sal à gosto

 

Modo de Preparo

Batata – descasca, pica em cubos, leva na assadeira, rega com bastante azeite, desmancha ramos de alecrim fresco, salga, leva ao forno até amolecer e, enfim, espreme no espremedor de batata.

Acrescenta 2 ovos + 150g de farinha de trigo peneirada, mistura. Veja se deu o ponto, dá para fazer uma bola sem grudar nas mãos. Se não der, coloca + um pouco de farinha de trigo e mistura até dar o ponto.

Em seguida, faz rolinhos de massa e depois corta em pedaços, sempre com a superfície polvilhada com farinha de trigo.

Terminou de fazer os nhoques, então agora leva bastante água quente pra fervura, coloca os nhoques aos poucos, eles vão cozinhar e boiar.

Retire e leve para um mistura de água com gelo a fim de parar o cozimento.

Rega os nhoque com azeite e pode guardar até utilizar.

Se não fizer no mesmo dia ou no dia seguinte o ideal é congelar. Depois só servir com o molho de sua preferência.

 



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Parador Hampel

Posted: 23 Mar 2021 03:53 PM PDT

Em primeiro lugar, antes de contar pra vocês sobre minha apaixonante visita ao Parador Hampel (São Francisco de Paula – RS) queria começar essa matéria com uma reflexão.

A vida é feita de caminhos que não andam em linha reta!

Parador HampelAntes de mais nada…

Porém, nesse tabuleiro emaranhado que permite todos os movimentos, inclusive, voltar várias casas; muitas vezes, o ponto de partida, curiosamente, pode abrigar a vitória da chegada.

Alguns chamam de destino, outros de rota traçada; verdade é que muitos partem de suas origens, esperando voltar melhores ou maiores.

Uma jornada de aprendizado, conhecimento, medo, transformação, tudo junto e igualmente misturado a angústias e alegrias.

Duro é não saber o que será na hora de partir. Emocionante é olhar pra trás e concluir que aconteceu!

Parador Hampel

…a fim de que aproveite melhor essa jornada, sugiro um café!

Partidas

Marcos Livi é um empreendedor que conheço há mais de década, virou amigo, desses que cruzam e continuam, logo depois, acompanhando o caminho da gente.

Admiro muito, porque ele tem o dom de fazer diferente.

Com seu Veríssimo trouxe a São Paulo, os textos e as paixões do escritor gaúcho Luiz Fernando Veríssimo.

Enfim, até a bandeira do Internacional colocou no estabelecimento gastronômico.

Definitivamente, muito amor envolvido para um gremista trabalhar por lá todos os dias.

No Quintana, bar e restaurante em homenagem ao grande poeta Mário Quintana, outro gaúcho célebre.

Trouxe então poesia linda nas paredes, transformou a escada em lombadas de livros, espalhou frases em um ambiente despojado e único.

Para melhorar, apresentou aos paulistanos e tanta gente que chegou de fora e por aqui ficou, uma grande pesquisa da culinária do Sul do Brasil, contemplando, ao mesmo tempo, os 3 Estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Parador Hampel _ restaurante noiteJá que viajaremos para uma hospedagem fundada em 1899.

Pizza e Hambúrguer no caminho

Como somos apaixonados por pizza, lá foi então o Livi para a Itália; a fim de trazer, nada menos do que a autêntica pizza napolitana, com sua massa de fermentação longa juntamente com forno especial.

Nascia assim, a Napoli Centrale com selo de autenticidade da Associazione Verace Pizza Napoletana.

Hambúrguer virou coisa séria e dessa forma, quando parecia que aqui em São Paulo já haviam aberto todas as hamburguerias possíveis…

O Marcos veio com o C6 Burger, que mistura o defumado e o smash com algum toque especial como o kimchi (a acelga apimentada em conserva, típica coreana, que foi acrescida em um dos burgers) ou o pão grafite, feito com carvão ativado.

Enfim, até um arquivo (desses de ferro de escritório cheio de gavetas) virou defumador de brisket, por exemplo. Ensaio perfeito para outra criação sua o A Ferro e Fogo.

Chega então a vez do Distrito Urbano e do Brique, que nascem igualmente como estabelecimentos múltiplos.

Embora com arquiteturas diferentes oferecem estações, que começam a servir um pouco do que você encontra nas outras casas e algumas novidades, entre elas: padaria e empório.

Bem como, uma proposta inédita no Grupo BAH (responsável por todas as casas), o cardápio "A Vida é PANC" com receitas exclusivas de pratos onívoros e veganos feitos com plantas alimentícias não convencionais.

Parador Hampel _ área externaBem como, sua área com mata nativa, lago e cachoeiras.

Chegadas

Mas espera aí Ale, porque você contou sobre todos esses empreendimentos antes de chegar no Parador Hampel que é o assunto dessa matéria?

Porque é exatamente como escrevi no início: A vida é feita de caminhos que não andam em linha reta e o ponto de partida, curiosamente, pode abrigar a vitória da chegada.

Formado em hotelaria na Escola Superior de Hotelaria Castelli (ESH), em Canela (RS), Marcos deixou São Francisco de Paula (RS), onde cresceu vendo sua mãe trabalhar na cozinha e no balcão do Xis da Dona Laura (nessa viagem eu tive o prazer de conhecer!) para percorrer um enredado caminho em São Paulo.

Enfim, como no tabuleiro da existência as peças sempre se movimentam, em 2016 encontrou seu projeto de vida.

E tal projeto audacioso estava lá, justamente no lugar onde partiu. Uma hospedaria datada de 1899, à venda para quem quisesse preservar ou não sua história.

História que se mistura e confunde com a de São Chico, alcunha carinhosa da cidade natal de Livi.

Passado, presente e futuro juntos! Ponto de partida, ponto de chegada!

Parador Hampel Tanto para preservar a memória, quanto para iniciar nova história.

Parador Hampel

A história do Parador Hampel tem início em 1899 quando uma casal de alemães, os Hampel, chegam a São Francisco de Paula (RS).

Igualmente atribui-se a eles, a introdução das primeiras mudas de hortênsias na Serra Gaúcha. A flor exótica tornou-se um símbolo da região.

O médico Dr. José Hampel construiu então um hotel que, segundo anunciado na época, ficava numa propriedade dotada de natureza exuberante e muito ar puro para relaxar.

Logo, pessoas de diferentes cidades do Rio Grande do Sul, fazem longas viagens em carretas de bois para experimentar a novidade.

Registros históricos informam que em 1924 a Pensão Hampel já era famosa como um excelente local de veraneio pela qualidade do ar e da água.

Entre as décadas de 40 e 50 um grupo de famílias influentes de Porto Alegre assumiu a administração com o objetivo de criar um condomínio de lazer.

Nessa época inauguraram o prédio em alvenaria que hoje abriga a maior parte das acomodações do Parador Hampel.

O tempo passou, muitas hospedagens novas foram construídas e o hotel, sem investimento, foi perdendo seu brilho.

Até que em 2016, Marcos Livi, fecha a compra da propriedade com o objetivo de tocar o negócio em família e recuperar o prestígio de outras eras.

Parador Hampel _noite restauranteDa mesma forma que a noite cai, as luzes baixam.

Acomodações

Desde que adquiriram a propriedade o casal, Marcos e Vera, trabalha bravamente não só na restauração dos prédios construídos, como também nas grandes áreas verdes com mata nativa, lago e cachoeiras.

E, da mesma forma, na modernização das instalações para adequá-las às novas exigências da hospitalidade, tanto de conforto quanto do ponto de vista da sustentabilidade.

O Parador Hampel possui área total de 21 hectares com mata virgem, araucárias, xaxins, samambaias e nascentes que desembocam em um belo lago e três cachoeiras, duas delas já com trilha de acesso.

Todos os espaços estão sendo monitorados por uma bióloga.

No retrofit (processo de melhoria de instalações antigas que busca atualizar o espaço, corrigir problemas e torná-lo mais seguro e confortável para os usuários), os 20 quartos passaram por reformas.

Todos ganharam cama box king size bem como, chuveiro aquecido, edredon de lã de carneiro, TV LCD com acesso a Netflix, secador, frigobar, wi-fi, aquecedor e atendimento 24 horas.

Assim também, a recepção, o amplo salão do restaurante e a cozinha foram restaurados, modernizados e posso dizer que ficaram muito aconchegantes para receber os clientes.

Parador Hampel O dia então recomeça, em torno do grande fogão à lenha.

Parador Hampel – Gastronomia

Como era de se esperar, afinal Livi tem vasta experiência com seus restaurantes em São Paulo, comida boa e farta é que não falta no Parador Hampel.

O restaurante funciona como coração da propriedade. Um imenso salão revitalizado, tal e qual sua origem mais que centenária, com ampla estrutura de madeira, tijolos à vista, móveis antigos e decoração aconchegante; acolhe os comensais .

A convidativa cozinha aberta (há outra fechada) permite a emoção trivial de buscar seu prato quente numa das bocas do amplo fogão à lenha.

Bem como, abriga pães e bolos dispostos numa grande mesa de madeira e, ainda, compotas, cereais e frutas abrigados em potes e cúpulas de vidro, aninhados nas prateleiras de um armário tipo farmácia.

Claro que a configuração acima serve ao café da manhã sem pressa, nos almoços há tantas outras travessas, panelas e pratos que disputarão o olhar de comensais ávidos por provar um pouco de tudo: saladas, petiscos, acompanhamentos, carnes, entre tantas opções.

Nos jantares, mais tranquilos, os pratos pedidos à la carte chegam direto da cozinha fechada, a luz cai, o clima fica mais intimista e os presentes só desejam ficar acomodados em suas mesas, entretidos pela conversa e goles de vinho.

Hora de pedir um Capeletti in Brodo, que alegra corações sem cerimônia; massa ou carne do cardápio, se ainda tiver fome; apreciar um bom vinho ou drink da carta e enfim, encerrar a noite com a imperdível Torta de Maçã.

Salivo agora desejando-a sem poder tê-la, para suprir o meu desejo.

ParParador Hampel _ cafe da manha no lagoÉ provável que você se apaixone!

Café da manhã no lago ou nas cachoeiras

Antes de mais nada, como já escreveu Saramago "Se podes olhar vê. Se podes ver, repara" a foto que publiquei acima!

Enfim, por mais que eu tente descrever em palavras o quão especial é essa experiência de tomar o café da manhã no lago, nada como retratá-la em uma imagem bucólica.

Também pode ser servido nas cachoeiras. Apenas com reserva antecipada.

Confesso que me senti especial! Parece que o mundo parou um milésimo de segundo para me abraçar.

Há os que acham que luxo tem a ver com coisas caras. Eu penso que é viver momentos únicos.

Parador Hampel _torta de maçãSem dúvida você não pode sair do Parador Hampel sem provar a torta de maçã!

Parador Hampel – Alemão no Hampel (sábado)

Voltando às origens dos fundadores do Parador Hampel, Marcos Livi fez extensa e cuidadosa pesquisa para resgatar pratos da culinária alemã.

E lá estava eu sentado à mesa, no almoço de um sábado qualquer, pronto para degustar o menu Alemão no Hampel, sem imaginar o que me esperava…

Companhias agradáveis, conversa boa, descontração e, de repente, uma enorme bandeja preta, conduzida com desenvoltura por uma atendente é postada diante de nós, carregada de acepipes.

Todos devidamente desembarcados sobre a nossa mesa.

Começava assim um banquete, que se revelaria completo 30 pratos depois.

Parador Hampel _almoço alemãoPrimeiramente você vai receber esses acepipes para um passeio alemão.

Para despertar o paladar logo na chegada:

Queijo de porco

Pastrami

Linguiça Bock

Weisswurst branca

Salsicha Frankfurt

Picles da casa

Mix de Pães: pão escuro com mel, pão com especiarias, pão de fermentação natural.

Acompanhados de molhos: maionese de mostarda roxa; crem branco; chimia de pimenta; mostarda amarela e escura e molho de pimenta da casa.

Quer repetir? Pode! Mas vamos seguir em frente porque há muita coisa por vir.

Nova bandeja surge ao nosso lado, agora com as entradas.

Parador Hampel _ almoço Alemão no HampelEm seguida muitos petiscos!

Petiscos alemães tentadores, dignos de uma boa cerveja.

Croquete de linguiça Blumenau

Bombom de cordeiro

Bolinho de batata ralada

Tulipa de pato com chucrute roxo

Almôndega na cerveja

Salmão e pirarucu curados

Kartoffelsalat

Bucho

Salada de pato defumado

Beterraba defumada com mel, queijo e amêndoas

Carne de onça

"Gostariam de repetir alguma coisa?" disse a atendente.

Melhor seguir o baile, porque logo será a vez dos principais entrarem no salão.

Parador Hampel pratos alemãesEntão, os principais!

E lá vem eles!

Barriga suína com purê de maçã verde

Stinco suíno com Spätzle

Massa caseira

Schnitzel

Marreco com chucrute branco

Frango na cerveja com batatas assadas

Moela com cebola refogada.

Parador Hampel _ almoço AlemãoLogo que estiver satisfeito dos salgados virão as sobremesas.

Vamos às sobremesas?

Preferimos dar uma pausa. Andar um pouco pela propriedade, deixar assentar a poeira…ops!… a comedeira.

Mas, voltamos! Somos fortes!

Vieram com o café que pedimos:

Apfelstrudel com nata gelada batida

Pavlova com frutas vermelhas

Sonho com doce de leite

Torta de maçã

Cuca

"Gostariam de repetir alguma coisa" disse outra vez nossa solícita atendente.

"Claro!"

Pedimos bis! Afinal, doces possuem compartimentos próprios nos nossos estômagos.

Parador Hampel A Ferro e FogoCom toda a certeza Zé Maria é “o cara” do A Ferro e Fogo !

Parador Hampel – A Ferro e Fogo

Mais que gastronômico, o A Ferro e Fogo é um projeto cultural que tem muito a ver com o resgate da conexão do ser humano com o fogo, em especial na cultura gaúcha.

Aos domingos, a ampla cenografia de ferro é armada em estações prontas para receberem o fogo e, do mesmo modo, muitos ingredientes: frutas, verduras, legumes e carnes.

A vista é a do lago, num convite à contemplação, pausa e respiro. Hora de parar o tempo!

Parador Hampel _ A Ferro e Fogo 4Variedade de vegetais, igualmente compõe o cardápio desse encontro.

Aviso dos organizadores

Não é um churrasco!

Não é um almoço!

O que é então?

É uma grande celebração da qual fazem parte amigos, hóspedes, turistas, músicos, chefs de cozinha com propósitos semelhantes: viver e oferecer uma experiência única, ao ar livre, em contato com a natureza.

Então, é comum Marcos Livi receber chefs convidadas e convidados para juntos reverenciarem o fogo, extraindo, entre outras coisas, toques defumados e caramelizados dos alimentos, próprios desse tipo de cozimento.

Música e boa bebida animam a celebração, que só ficará completa se cada participante entender que é um momento para relaxar e comemorar essa conexão única.

Parador Hampel _ A Ferro e Fogo Seja como for finalize sua refeição com essas frutas assadas!

A recepção começa pela mesa de Boas-Vindas:

Choripan – linguiça artesanal, chimichurri, tomate, cebola e cheiro verde; servidos em uma pequena baguete feita pela equipe do Parador.

Bem como, caldinho de Putchero com cachaça de alambique.

Seguida pela Estação Saladas e Tostados, preparadas com ingredientes frescos e inusitados diretos da horta e da ilha de PANCs da casa!

Enfim, é hora de começar a degustação das carnes:

Costelão bovino e Leitão, assados lentamente na lenha por 8 horas, além de Cordeiro orgânico e Galeto al Primo Canto.

Assim também, dos acompanhamentos: Arroz de Carreteiro, Feijão, Moranga Caramelada, Batata Doce, Aipim e Polenta.

Para finalizar, sem pressa de ir embora, frutas assadas, compotas, churros, panqueca de doce de leite e torta de maçã.

Sobre como me senti acolhido

A hospitalidade é sobre a maciez da cama, o abraço da toalha, o relaxamento da ducha.

É sobre lugares para uma pausa, caminhos na natureza, mergulho, prática de esportes, leitura, contemplação e a arte de não fazer nada.

Aquele café da manhã farto, difícil de escolher; refeições demoradas; risos soltos; taças erguidas.

Mas hospitalidade é principalmente sobre pessoas.

Calor humano, gente gentil, sorriso nos lábios, o que eu posso te ajudar.

É sobre gente que ama o que faz e te faz entender o porquê!

Parador Hampel

Quer + informações? Então acesse o site

Parador Hampel _caféEnfim, obrigado por me acompanhar nessa jornada!

Bem como Leia + dicas como essa na coluna Viagem Gourmet



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A Mesa Delas

Posted: 05 Mar 2021 02:20 PM PST

Antes de mais nada, prometo que logo falarei sobre o projeto A Mesa Delas, no entanto, queria abrir essa matéria dizendo uma coisa para todos os Cuecas que me acompanham.

O Dia Internacional da Mulher não é dia de flores. Acredite, flores são lindas, mas esse não é o dia adequado para dá-las. Se você, querido Cueca, pensa em dar um presente, dê respeito em todos os 365 dias do ano, porque esse é o verdadeiro motivo pelo qual o 8 de março existe.

A Mesa Delas

Dito isso, é um dia para celebrar a luta, as mudanças, as conquistas, a união, bem como para realizar projetos coletivos como esse.

A Mesa Delas, reúne em torno do fogão quatro grandes mulheres empreendedoras brasileiras, cozinheiras e defensoras do ingrediente nacional. Evento criado pela MarAberto.CO, agência de comunicação especializada em gastronomia.

A Mesa Delas _Ingredientes

A Mesa Delas – Ingredientes

Então, cada uma delas foi chegando à mesa com seus ingredientes brasileiríssimos, cheias de ideias, prontas a misturar suas histórias e suas cozinhas, em prol do coletivo.

Amanda, acreana, que inaugurou em 2018 na Vila Mariana em São Paulo sua Casa Tucupi, dedicada a preparar clássicos da cozinha do Acre, levou: tucupi, jambu, caranguejo, farinha de Cruzeiro do Sul e camarão seco.

Cafira, que fez de seu apelido de infância, Fitó, o nome de seu restaurante, colocou na mesa: beiju de tapioca, jiló em conserva, carne de sol e cajuína.

Lembranças afetivas do Piauí, inspiradoras dos pratos servidos em seu restaurante no bairro de Pinheiros em São Paulo.

Lugar delicioso de visitar, reduto da inclusão, da diversidade sexual e da igualdade de gêneros.

Arroz Caldoso Terra e Mar _A Mesa DelasArroz Caldoso Terra e Mar

 

Ieda trouxe de sua infância na Chapada Diamantina (Bahia), não só os ingredientes, como também a inspiração que permeia sua cozinha afetiva na Casa de Ieda (Pinheiros).

Para A Mesa Delas contribuiu com cuscuz, açafrão da terra, licuri, mandioca pubada, urucum e caxixi.

A quarta cozinheira engajada nessa conexão feminina nasceu em Almenara, no Sertão Mineiro. Onde o tempo dos caldeirões fala mais alto e da escassez de ingredientes se extrai a boa comida.

Manuelle que comanda os restaurantes A Baianeira (Barra Funda e MASP), trouxe na sacola: requeijão moreno, feijão andu, rapadura e sementes de coentro frescas.

Peixada de Pirarucu_ A Mesa DelasPeixada De Pirarucu

Menu

Pois três pratos saborosos com tudo junto e misturado saíram desse encontro. Todos podem ser degustados, cada um num restaurante, a partir do dia 8 até o dia 21 de março.

Atenção: Enquanto durar a fase vermelha em São Paulo, apenas via delivery ou take away (retirada no local).

O Arroz Caldoso Terra e Mar (R$54) dá pra pedir na Casa Tucupi – leva mini arroz no caldo de tucupi com carne de sol, camarão e farofa de beiju de tapioca e licuri. Acesse o Instagram da Casa Tucupi e veja como comprar.

A Peixada De Pirarucu (R$62) sai da cozinha da A Baianeira da Barra Funda – o peixe leva masala brasileira de açafrão, pimenta de cheiro, castanha de caju e semente de coentro fresca; hommus de requeijão moreno e farofa de farinha de Cruzeiro do Sul. Acesse o Instagram da A Baianeira e veja como comprar.

PF Delas _A Mesa Delas

O PF Delas (R$58), você encontra no Fitó – tem arroz vermelho, caranguejada com barriga de porco e feijão andu, beiju e fermentados de jiló. Acesse o Instagram do Fitó e veja como comprar.

Mas aí você me pergunta: Ale são quatro cozinheiras e apenas três pratos? Pois é, a Casa de Ieda está temporariamente fechada, mas deve retornar em breve.

De qualquer forma Ieda, igualmente, queria contribuir com sua brasilidade e feminilidade nesse projeto que é uma ode à luta feminina dentro das cozinhas profissionais.

Oportunidade única! Bom apetite!

fotos Lucas Terribili

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Monã

Posted: 11 Feb 2021 02:14 PM PST

Pensei como começar a descrever a experiência única que tive hospedado na Monã – propriedade rural de base ecológica localizada em Canela (RS) que, muito além da hospedagem confortável, oferece hospitalidade, vivências, natureza, gastronomia e cultura.

Monã _hospedagem

Resolvi compartilhar com vocês então, três palavras que me vieram à mente: Vivência, Convivência e Conexão. Bem como, uma reflexão a respeito delas.

Vivência: aquilo que se experimentou vivendo.

Convivência: vida em comum, contato diário ou frequente, intimidade, familiaridade.

Quanto à conexão afirmo: Hoje estamos totalmente desconectados!

Você está louco, Ale? Podem me questionar.

Afinal nunca estivemos tão conectados, 24 horas online, para saber sobre tudo e sobre todos ao redor do mundo.

Explico, a palavra conexão foi apropriada de tal forma pela tecnologia, que hoje parecem ter nascido uma para outra, ambas a serviço do universo digital e online.

Simples assim, se você tem celular ou computador com conexão a uma rede, parabéns! É um ser conectado.

Caso contrário, infelizmente, estará desconectado. Correndo o risco, inclusive, de ser xingado de analógico.

Monã _hospedagem

Contudo, trago verdades!

Conexão, antes de mais nada, é ligação, união, vínculo.

Assim, desde 2007 trabalhando com o universo virtual, nunca vi pessoas tão desconectadas de suas próprias vidas.

Aquele sentimento de vazio, que só pode ser preenchido navegando alucinadamente pelas redes sociais, porque parece mais fácil viver a vida dos outros do que encontrar um caminho para a sua.

Penso que essa desconexão e o vazio existencial de muitos seres humanos tem, igualmente, a ver com duas palavras que citei logo acima: Vivência e Convivência.

Monã _camas ao ar livre

Queria te fazer algumas perguntas:

Você está experimentando aquilo que está vivendo?

Ou quer apenas ganhar likes mostrando aos outros algo que nem vai lembrar depois, simplesmente porque não viveu de verdade?

Como você tem convivido?

Está criando laços, se fazendo presente na vida de outras pessoas ou dedicando-se apenas a contatos superficiais?

Monã _fogão à lenha

Monã

Em primeiro lugar, antes de falar sobre a Monã, resolvi escrever um texto de abertura porque acredito que a minha experiência foi, como a sua será, baseada nessas palavras: Vivência, Convivência e Conexão.

Caminhando pela parte principal da propriedade e conversando com Daniel Castelli, que há 15 anos adquiriu essa área de 132 hectares na zona rural de Canela, cidade da Serra Gaúcha, confesso que aprendi muito.

Vivenciei a natureza da Monã. Convivi com o Daniel e sua esposa Aline, pessoas que sabem te acolher não como hóspede, mas como convidado.

Por fim, me conectei com o propósito de todo o empreendimento.

A proposta da Monã é tão simples quanto essencial: resgatar a verdade das coisas!

_______________________________

Monã, na crença tupi-guarani, é o deus criador do mundo, céu, terra e seres vivos.

Antes de mais nada, cabe informar que os índios não tem a noção cristã de céu e inferno, para eles o paraíso é Ybymarã-e’yma ou Terra sem Males.

Lugar onde podem viver com seus ancestrais e deuses, sem guerra, fome ou qualquer outra mazela humana.

Monã

Conceito

Daniel Castelli chegou na propriedade, que seria a futura Monã, acompanhado de seu pai Geraldo Castelli, fundador da primeira escola de hotelaria do Brasil e autor de mais de 17 livros de referência em hospitalidade.

O local, à princípio, serviu como unidade avançada para os cursos de agroecologia da Castelli Escola Superior de Hotelaria, que hoje está com as atividades encerradas.

Tal empreitada contou com a colaboração de uma equipe multidisciplinar ciente do projeto inovador, como explica Daniel.

"A gente foi buscando se alimentar e beber em várias fontes com vários profissionais para criar o próprio estilo da Monã, porque a gente tem que pegar todas as informações, mas se adaptar a região.

Tu vai andar por aí, tu vai encontrar pedra, tu vai encontrar madeira, tu vai encontrar telha de barro, tu vai encontrar vidro.

Tivemos o arquiteto que foi uma pessoa muito feliz, que trouxe pra cá o conceito das cores, dos formatos, do uso dos materiais.

Biólogo, veterinário, zootecnista, agrônomo, meu pai e eu sempre envolvidos com a questão da hospitalidade".

Arquitetura

A proposta era fazer algo fora do padrão conhecido, mas usando materiais locais. Mão humana e ferramentas de design integradas à natureza

Então, a partir dos princípios de Feng Shui da Escola Ba Zhai nasceu o projeto arquitetônico da Monã.

Um círculo de pedras foi erigido e, ao redor dele, casas foram construídas, formando a primeira vila.

Dentro desse conceito de aldeia, as construções estão todas voltadas para um círculo. Assim, um enxerga o trabalho do outro, há um resgate do coletivo. A percepção e valorização de cada um com relação ao todo é muito importante.

Uma fogueira, no centro do círculo de pedras, é acessa todas às vezes em que é fundamental celebrar conquistas e mudanças de ciclo.

"Quando a gente olha essa visão dessa casa com o fundo dessa montanha, a gente pensa que a coisa foi feita com sucesso", finaliza Daniel.

Monã _Galinheiro

Ciclo sustentável

Por lá, o resíduo de uma unidade vira matéria-prima para outra.

Por exemplo, a marcenaria (Daniel é conhecido por suas tábuas artesanais – mais pra frente falo disso), tem como resíduo a serragem.

Serragem que vira palhada do galinheiro, onde as galinhas estercam e urinam formando um composto.

Composto que é usado para a adubação da horta.

Horta que abastece o restaurante.

Restaurante que gera resíduos de cascas, folhas e restos de alimentos, que voltam para alimentar as galinhas.

Galinhas que produzem os ovos do café da manhã e das refeições do restaurante.

Enfim, o ciclo sempre se reinicia.

Monã _Casa Sementeira

Casa Sementeira

Um dos focos da Monã sempre foi a conservação e o resgate de variedades de alimentos e plantas nativas, daí a importância de uma casa especial para guardar as sementes.

Diferente do que nos é apresentado hoje há, por exemplo, uma grande variedade de cenouras, tomates, alhos, entre tantos outros vegetais.

Resgatar o radicchi, folha que os italianos gostavam de comer quando chegaram ao Brasil, foi outra empreitada de Daniel.

"Plantamos há 15 anos nossa variedade de milho crioulo e esse milho a gente mói no vizinho, que tem um moinho de pedra.

E assim, faz nossa própria farinha de onde vem nossa polenta, que é carro-chefe da gastronomia.

A gente começou a cozinhar ao redor do caldeirão de polenta", explica o proprietário da Monã.

Monã _Polenta

Especialista em permacultura, agrofloresta e tantas outras formas de trabalho sustentável, Castelli me conta sobre como recupera uma área degradada.

"A recuperação é eterna! A gente está sempre melhorando o solo, e graças às técnicas de manejo da agroecologia nós conseguimos ter o resultado de terra propícia pra culturas da região.

Chamamos o processo de adubação verde. Um coquetel de plantas que a gente deixa crescer no verão, são plantas de verão.

Isso tudo, na época do outono, a gente incorpora na terra pra, como diziam os antigos, "engordar a terra". Deixar ela pronta para as culturas de inverno".

Monã _almoço com Daniel e AlineEu, Jane, Daniel e Aline

Monã – Gastronomia

Antes de mais nada devo dizer que a comida na Monã é uma demonstração de afeto e de esperança na humanidade.

E não é só pelo sabor, afinal comer alimentos orgânicos produzidos por pequenos produtores é incomparável com relação a esse monte de alimentos pasteurizados e anabolizados com agrotóxicos que encontramos nos mercados em geral.

Monã almoço

Muito além disso, é pela proposta, pelo entorno, pela preservação, por mostrar que é possível fazer diferente, é possível fazer a diferença. É pela valorização do que é bom, limpo e justo como prega o Slow Food.

Hoje a propriedade já é bastante conhecida por sua produção agroecológica e por comprar aquilo que não produz em fornecedores próximos, que também tem o compromisso com a agroecologia.

Daniel foi durante muitos anos um dos coordenadores da Rede Ecovida. Uma certificação participativa de orgânicos, onde agricultores certificam outros agricultores, que seguem todas as práticas necessárias.

Monã _café da manhã

Café da manhã

Incluso na diária, o café da manhã é decerto um indispensável momento de contemplação.

Na mesa embaixo das árvores você receberá alimentos de verdade, preparados por lá ou produzidos artesanalmente nas redondezas.

Diversão das crianças é buscar os ovos do café da manhã no galinheiro, um ritual incentivado pelos proprietários. Mais fresco e saboroso, impossível!

Monã _charcutaria

O suco é feito com laranja colhida ali no pé!

As frutas frescas, são todas frescas mesmo! Deles ou dos vizinhos.

Os pães e bolos? Produção caseira.

Assim também, os embutidos, queijos, manteiga, requeijão vieram de pequenos produtores. Bem como, as geleias e meles.

Enfim, sente e exercite a arte de viver sem pressa!

Depois pode deitar numa das redes, ou mesmo numa das camas (é isso mesmo que eu disse!) embaixo das árvores.

Monã _almoço

Almoço e Jantar

Fora o café da manhã, você pode almoçar e jantar na Monã avisando com antecedência, valores cobrados à parte da hospedagem.

Perto do fogo, na churrasqueira e forno à lenha, é que sua comida caseira é preparada.

Já te falei da polenta, carro-chefe da gastronomia da Monã, feita a partir de milho crioulo plantado por eles.

Coisa rara no Brasil que, infelizmente, tem produzido cada vez mais toneladas de transgênicos em monoculturas. O sabor? Prove e depois me conte!

Dos vegetais às carnes, tudo que é servido por lá tem procedência. E o almoço fica muito mais agradável com a presença do Daniel e da Aline.

Ah! E dá uma olhada no Instagram da Monã porque muitas vezes tem almoços especiais aos sábados e domingos, servidos tanto aos hóspedes quanto aos não hóspedes. Inclusive, chega a rolar até uma banda de blues.

Monã _Pinsa Romana

Sobre um jantar especial

Como já disse, os anfitriões, Daniel e Aline, tem um ótimo relacionamento com seus vizinhos.

Então, de repente, na sua estada, você pode se deparar com uma surpresa como a que eu tive.

Ah! Todas as noites, o fogo está acesso pronto para uma roda de conversa.

Monã _Pinsa Romana

Pinsas romanas e a arte de conviver!

Sempre escrevo por aqui: Penso que a vida é feita de momentos felizes.

Então, quem busca felicidade apenas como meta, percorre o trajeto sem reparar nos grandes encontros ocasionais.

A comida é a arte do encontro! Em torno dela já vivi muitas experiências inesquecíveis. Não apenas pelos sabores, aromas e texturas mas, principalmente, pelas conexões humanas.

Gosto tanto desse assunto: comida e relacionamentos – que exploro, de variadas formas, em meus livros. Afinal, não há romance ou amizade que não aconteça entre talheres e taças.

Assim como, não há troca mais instigante do que a ocorrida em torno do fogo, do compartilhar o alimento. Pessoas que nunca se viram, se revelam, contam coisas, trocam passagens da vida.

Foi carinhoso demais o Dile Valduga preparar suas famosas Pinsas Romanas num jantar muito exclusivo durante a minha estada na acolhedora Monã .

Monã _Dile Valduga

As massas deliciosas, crocantes e muito leves, feitas com mix de farinhas e longa fermentação, saiam do forno direto para a brasa da churrasqueira, ganhando um toque defumado especial.

Descobri, entre tantas outras coisas, que o Dile tem um restaurante em Canela (RS) e é um caçador de cogumelos apaixonado!

Provei, inclusive, alguns que ele mesmo colheu na natureza ali perto. Falamos de família, viagem, gastronomia, enquanto comíamos com as mãos.

Aquele tipo de experiência que não tem preço, nem hora, nem local, apenas acontece!

Monã _carrinho piquenique

Piquenique

De repente na hora do almoço ou mesmo à tarde, você pode encomendar então um piquenique pra chamar de seu!

Quando menos espera, embaixo de uma árvore de frente para o lago, é disposta uma toalha  e começam a ser espalhadas delícias caseiras, que chegam num charmoso carrinho de mão.

Converse sem moderação, contemple, talvez um pato ou outro do lago venha te visitar, pegue um livro, relaxe, respire, enfim, repare como você está conectado à vida!

Monã _Piquenique

Monã – Hospitalidade

"A gente quer cada vez mais estruturar a Monã, dando cada vez mais conforto, mas mantendo esse estilo mais a verdade da coisa.

A verdade da gastronomia, a verdade da hotelaria, a verdade da conservação de uma paisagem.

A valorização da arquitetura, a valorização da cultura, da arte, dos pequenos momentos".

Monã boas-vindas

Curioso é que o Daniel, que me disse a frase acima definindo sua propriedade, bem como a Aline e a equipe que trabalha com eles, conseguem mostrar essa verdade sendo apenas quem são.

Se por um lado as pessoas tem vivências junto à natureza, à vida no campo e se deparam com uma arquitetura rústica; por outro há conforto, comodidades e pequenos mimos que encantam os visitantes.

Monã _quarto cama

Quer seja a cabeceira da cama, ou o cabideiro de parede feitos pelo Castelli na sua marcenaria, quer seja o bolinho com chá de boa noite, a garrafa de água ou as flores deixadas no quarto pela Aline.

E se a hospedagem é boa, a hospitalidade com que te recebe o casal e sua equipe é ímpar! Nada como os donos cuidarem de você!

Monã _Daniel Castelli

Marcenaria autoral

As tábuas do Daniel, bem como outras peças de marcenaria que ele produz, já são famosas não só no Brasil, como também fora daqui.

Em Gramado, por exemplo, o designer fez um trabalho especial para o Wood Hotel. No Uruguai, a Bodega Garzón possui suas obras. Tábuas que viajaram para todos os cantos do mundo é que não faltam.

Castelli tem essa capacidade de olhar de fora para as coisas e entender o melhor que elas têm para entregar.

Um pedaço de madeira, por exemplo, pode virar uma tábua, respeitando sua forma, tamanho e desenho original.

Monã _marcenaria tábuas

"Que tipo de madeira é essa? Que árvore é essa? O que dá pra se fazer? Que pessoas que nós vamos unir?" questiona-se.

Dessa forma temos o design à serviço da matéria-prima e não ao contrário.

As madeiras proveem de demolição, pedaços achados na natureza, árvores caídas e, igualmente, de fazendas de reflorestamento com certificação de origem.

Os resíduos das tábuas viram outras peças menores. Podendo se transformar então em produtos decorativos pra casa, artesanato, colares, brincos, chaveiros.

Enfim, aproveita-se tudo! Até a serragem que, como já expliquei em capítulo anterior, vira palhada pro galinheiro.

Vale visitar a loja virtual do Daniel.

Monã _Celeiro Cultural

Cultural e Artesanal

Entre os planos da Monã está fomentar cada vez mais a cultura e o fazer manual nos espaços da propriedade.

Daniel quer promover oficinas de marcenaria, para os hóspedes e visitantes saírem não só com a experiência, mas também com um objeto que produziram, por exemplo.

Transformar o amplo galpão onde ele criava ovelhas num Celeiro Cultural.

Ponto de encontro para receber artistas da cerâmica, pintura, escultura, bem como outras atividades artesanais e culturais.

A ideia é valorizar pequenos eventos, encontros, reuniões. Espaço e boa vontade é que não faltam.

Conclusão – Sem tempo para pressa!

Melhor de tudo é que para vivenciar a Monã você não precisa, obrigatoriamente, fazer aquele monte de atividades rurais. Você pode apenas sentar e contemplar!

Monã – Serviço

+ informações para se hospedar na Monã ou ter uma experiência de um dia na propriedade acesse o site ou então o Instagram.

Monã _Alessander Guerra

Enfim…

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ou então do tópico Cozinhando Ideias

 



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Culinária Japonesa

Posted: 17 Dec 2020 02:30 PM PST

O livro Culinária Japonesa da autora Nancy Singleton Hachisu, acaba de ser lançado no Brasil pela editora Ernest Books.

É uma tradução do livro “Japan, The Cookbook” sucesso internacional da editora inglesa Phaidon.

Culinária Japonesa

Nancy Singleton Hachisu

Jornalista e escritora californiana casada com um japonês e dessa forma vive há 3 décadas no Japão em uma fazenda orgânica.

É ainda professora de culinária e participa do movimento Slow Food.

Considerada uma das maiores divulgadoras ocidentais da cozinha japonesa, faz muitos cursos e palestras fora do Japão.

Igualmente, leva grupos estrangeiros para conhecer pequenos produtores japoneses.

Culinaria JaponesaEspinafre com yuzu (foto página 45)

Culinária Japonesa

O livro é uma edição em capa dura com um belo retrato da cozinha caseira do Japão.

A verdadeira alimentação do dia a dia do Japão é bem diferente dos sushis e sashimis que estamos acostumados no Ocidente.

As 400 receitas foram selecionadas durante três anos de viagens por diferentes regiões do Japão.

Nancy visitou casas de família e conheceu as cozinhas das avós (bachans – as maiores responsáveis pela transmissão da cultura japonesa através das gerações).

Conversou também com chefs de restaurantes de diversas províncias, a fim de mostrar a diversidade de pratos e preparos.

Uma refeição caseira do Japão tem seus princípios:

O motainai, desperdício zero, rege o amplo repertório de pratos caseiros, preparados de acordo com técnicas variadas.

A comida tem de ser colorida e variada, composta por diferentes porções.

O cardápio inclui caldo e uma cumbuca com gohan, exceto se o prato principal for macarrão.

Há ainda uma variedade de preparos, entre saladas, frituras, conservas, cozidos, crus, grelhados, etc.

Culinaria JaponesaComida do dia a dia (foto Codo Meletti)

Refeição caseira típica

Recebi com o livro alguns pratos preparados pela chef Telma Shiraishi, que comanda o restaurante Aizomê e é, da mesma forma, embaixadora da cozinha do Japão no Brasil.

Ambos chegaram embalados à moda japonesa com um furoshiki, a maneira tradicional de embrulhar presentes e transmitir afeto.

Na refeição:

Bardana com cenoura e gergelim finalizada com shoyu, especiarias e mirin – uma das receitas de salteados – Itamemono – pág 218.

Croquete de kabocha, foi a deliciosa fritura (agemono – pág 236) escolhida pela chef para a nossa refeição.

Bem sequinha por fora e com recheio delicado de abóbora, muçarela e presunto.

Teppanyaki – berinjela, pimentão, shitake, acelga, contrafilé fatiado na largura 6mm; tudo grelhado (parte do capítulo Yakimono – pág 270).

Enfim, acompanhado de molho ponzu e arroz japonês (capítulo Gohan – pág 291).

Menu delivery da chef Telma Shiraishi do Aizomê .

Culinária Japonesa – Capítulos

Enfim, a cozinha de pratos reconfortantes das casas de família é dividida em 16 capítulos.

Há ainda um capítulo dedicado às receitas dos chefs de cozinha e um precioso glossário, que explica termos usados na culinária do país.

Precedendo as receitas, Nancy traça uma breve linha do tempo de 2 mil anos, destacando não só as transformações de cada era, como também os impactos na refeição dos dias de hoje.

Um ponto interessante destacado pela autora logo no início do seu livro.

“Analisando as tradições alimentares milenares do Japão, é um alívio ver que poucas preparações básicas mudaram com o tempo.

Às vezes fico pasma com estrangeiros que acham necessário fazer experimentos com esses métodos antigos: para que mudar algo que passou mais de mil anos dando certo?

Não estou defendendo o conservadorismo a todo custo, nem sou contra a criatividade na cozinha, mas sou a favor de manter a intenção e a integridade dos métodos originais”.

Culinaria JaponesaCroquete de kabocha (foto Codo Meletti)

Organização dos Capítulos

Zensai – Entradas

Pratos pequenos servidos antes das refeições e, normalmente, feitos com sobras do preparo do prato principal. Incorporam assim o conceito motainai (desperdício zero).

Por exemplo: Talos de cenoura picantes, Ovos com nirá, Berinjela com pasta de edamame e Espinafre com yuzu.

Aemono – Saladas

Verduras frescas temperadas com sal ou fervidas/refogadas.

Por exemplo: Legumes e verduras no gengibre, Caranguejo e pepino com molho de gema, Berinjela com missô de gergelim e Tofu com seis sabores.

Namamono – Pratos Crus

O peixe cru é encontrado por toda parte do Japão.

Em sua forma mais simples, o sashimi consiste em fatias grossas ou finas de peixe fresquíssimo dispostas em fileiras bem compactas ou então enfeitando o prato.

Por exemplo: Daikon ralado com ovas de salmão, Ostras no vinagre adocicado com yuzu, Pepino e lula com molho de mostarda e Sardinhas e daikon com molho cítrico e umê.

Culinaria JaponesaDaikon ralado com ovas de salmão (foto página 96)

Sunomono – Avinagrados

Os pratos avinagrados são saladas sem óleo.

Entretanto, em alguns casos, a porção generosa do molho de vinagre transforma o sunomono em um tipo de conserva rápida.

Por exemplo: Daikon e caqui desidratado com mitsuba, Polvo e wakame avinagrados, Aspargo com molho de vinagre e gergelim e Pepino e shitake com vinagre e gergelim.

Nimono – Cozidos

Cozinhar em separado, em fogo brando, cada ingrediente num dashi simples e temperar, de forma individual, no último instante é o segredo do nimono.

Contudo, acontece muito da panela inteira ficar para ser requentada na próxima refeição.

Por exemplo: Cozido de shitake e batata-doce, Kenchin de acelga recheada com tofu, Pargo com leite de soja cremoso, Cozido de frango e vegetais, Barriga de porco com vagens.

Culinária JaponesaBarriga de porco com vagens (foto página 147)

Shirumono – Sopas

Difícil encontrar uma refeição japonesa que não inclua ao menos uma simples tigela de missoshiro, quer seja em casa ou no restaurante.

Por exemplo: Sopa de galinha dos lutadores de sumô, Katsuobushi Dashi, Missoshiro ao Estilo Rural, Sopa para não pegar gripe

Mushimono – No Vapor

Enquanto no Ocidente tal forma de cozimento é cada vez mais rara, no Japão ainda fazem muitos tipos de comida no vapor, incluindo arroz glutinoso, vegetais, peixes, aves e cremes salgados.

A vantagem do vapor é que se tem mais controle para cozinhar lentamente.

Por exemplo: Tigela de creme de ovos cozidos no vapor, Bacalhau com umeboshi no vapor, Frango no vapor frio, Kabocha recheada com frango e vegetais.

Itamemono – Salteados

Segundo o livro Culinária Japonesa, os japoneses usam dois métodos básicos para refogar:

Kinpirá – saltear vegetais cortados em palitos ou em fatias finas e pimenta vermelha no óleo de gergelim usando wok bem quente.

Finalizar com um pouco de molho de soja.

Abura missô – saltear rodelas grossas ou pedaços maiores de vegetais com gengibre cortado em palitos e pimenta vermelha.

Finalizar sacudindo a panela para misturar os vegetais em missô com saquê e/ou mirin.

Por exemplo: Sardinhas com molho de tomate e cenoura, Okara e vegetais salteados, Negi salteado com missô, Omelete ao estilo japonês.

Culinária JaponesaPeito de pato grelhado com nabo (foto página 269)

Agemono – Frituras

As frituras japonesas devem ser bem leves, ligeiramente revestidas com uma massa crocante.

“Saku saku” é o som que elas fazem quando mordemos.

Por exemplo: Agedashi tofu, Ganmodoki frito e cozido no dashi, Tempurá de vegetais de verão, Bolinhos de arroz e missô, Cavala frita ao curry.

Yakimono – Grelhados

Os grelhados japoneses, antes de mais nada, vão muito além do yakitori, do teriyaki e do teppanyaki.

Enfim, existem grelhados com sal, com missô, com soja, com molho kimizu e ainda, tratamentos mais exóticos, como peixe pincelado com ouriço-do-mar e gema.

Por exemplo: Gratinado de Espinafre, Camarões grelhados com gergelim preto, Teriyaki de cavala, Yakitori, Peito de pato grelhado com nabo, Pargo grelhado com sal.

Menrui – Macarrão Japonês

Sobá – presente tanto em restaurantes despretensiosos quanto nos de alta gastronomia. Popular em regiões montanhosas, onde o trigo sarraceno era um cultura rotativa.

Udon – macarrão de estilo mais simples. No passado os agricultores das planícies cultivavam trigo e arroz para alimentar a família.

O arroz era consumido no café e no almoço, enquanto o udon caseiro era preparado no jantar, normalmente acompanhado de vegetais.

Lámen – originário da China. Toda cidade, por menor que seja, tem vários restaurantes de lámen então, é um prato mais consumido fora de casa.

Somen – macarrão ultrafino feito à mão, popular no verão, muitas vezes servido em uma tigela de sopa fria.

Por exemplo: Somen com pimenta vermelha e nirá, Udon de cinco cores, Lámen, Soba.

Gohan – Arroz

Em japonês, o arroz cru é chamado de kome e o arroz cozido de gohan.

Gohan também significa comida, ou refeição, o que demonstra a importância do arroz na dieta tradicional japonesa.

No dia a dia é consumido o Japonica, espécie de grão curto que tem muitas variedades, como os populares Koshihikari e Hitomebore.

Por exemplo: Arroz japonês, Arroz de sushi, Arroz com curry, Arroz misto de frango e vegetais.

Tsukemono – Conservas

O termo inclui vários alimentos em conserva, desde salmouras rápidas a fermentações mais longas.

Tome cuidado com as conservas industrializadas, pois é provável que contenham glutamato monossódico e conservantes.

Portanto, boa razão para fazer em casa!

Por exemplo: Berinjela na conserva rápida com mostarda, Vegetais de verão fermentados no sal, Condimento de pimenta verde, Sushi de Aji.

Culinaria JaponesaSukiyaki (foto página 371)

Nabemono – Caldeiradas

Os jovens adoram fazer nabemono por vários motivos, destaca a autora do livro  Culinária Japonesa.

É fácil, basta cortar ingredientes; barato, dependendo da carne ou peixe e afinal, todo mundo pode participar da preparação.

A refeição é feita então num donabe (panela de barro japonesa) sobre um fogareiro portátil à mesa.

Por exemplo: Yudofu, Nabe de salmão, Sukiyaki, Barriga de porco e pimentão japonês cozidos no missô.

Kanmi – Doces

A sobremesa nunca fez parte de uma refeição tradicional japonesa, porque o mirin, naturalmente adocicado, atenua e equilibra os sabores salgados e ácidos dos pratos.

Contudo, desde a década de 1980, até o kaiseki (cardápio formal composto de vários pratos) passou a incluir pelo menos um pedaço de fruta ao fim da refeição.

Hoje é comum os restaurantes japoneses servirem sobremesas mais leves, normalmente levam frutas, nozes ou gergelim.

Por exemplo: Pão de maçã, Ohagi, Gohei moti, Bolinhos de gergelim ao estilo de Okinawa

Shefu – Chefs

Nancy convidou onze chefs que atuam em restaurantes no Japão, Austrália, Reino Unido e Estados Unidos. Entre as receitas:

Rosbife com perfume de sakura do chef Yoshihiro Imai do restaurante Monk (Japão),

Dashi do chef Kanji Nakatani do Soba Ro & Soba Ra (Japão),

Shitake grelhado com molho de soja cítrico, yuzu e oba do chef Martin Benn do Sepia Restaurant (Austrália),

Molho tare do chef Brett Redman do restaurante Jidori (Reino Unido),

Lámen vegetariano do chef Jamison Blankenship do restaurante Chuko Ramen (Estados Unidos).

Culinaria JaponesaCulinária Japonesa

Gurossari – Glossário

No capítulo final do livro Culinária Japonesa a autora criou um glossário.

  • de ingredientes, por exemplo:

Himono

Peixe ou marisco desidratado ao sol durante metade do dia, normalmente grelhado e consumido no café da manhã ou almoço.

  • de utensílios de cozinha, por exemplo:

Makisu

Pequeno tapete de bambu para enrolar sushi.

  • de estilos de cortes japoneses, por exemplo:

Zakugiri

Folhas cortadas na largura em pedaços de 4 cm.

Serviço

Culinária Japonesa

Nancy Singleton Hachisu

Phaidon/Ernest Books

463 pág.

Preço R$239

fotos: Codo Meletti/Ernest Books

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Fábrica de Dengo

Posted: 13 Dec 2020 07:00 AM PST

Ainda não era Fábrica de Dengo, mas já era Dengo!

Fábrica de Dengo _prensa de chocolate

Lembro da primeira vez que entrei na loja do Shopping Morumbi. A marca, recém-lançada, abria sua unidade piloto e os atendentes estavam ansiosos por mostrar ao público, não só os chocolates e o café, mas também o conceito inovador. O ano era 2017 e a palavra "propósito" ainda não figurava como hashtag popular.

Hoje, sabemos que começar um negócio sem responder a pergunta: Porque você faz o que você faz? Não fará sentido nem pro empreendedor, que enfrentará desafios sem entender o porquê. E menos ainda para o cliente, cada vez mais atento aos impactos da sua experiência de consumo.

Enfim, se uma empresa não ajudar a transformar positivamente o seu entorno, preocupando-se com as pessoas (não só os acionistas) e a sustentabilidade verdadeira (não apenas a de discurso), está sujeita às mesmas intempéries de um navio sem rumo.

Naquela época fui muito bem atendido, provei e amei os chocolates, descobri a preciosidade de uma pepita (comi várias!). Melhor ainda, enxerguei que o cacau e o chocolate eram feitos por gente. Haviam rostos, famílias, pessoas tão distantes mas tão próximas, a quem eu podia creditar minha experiência sublime naquele momento único.

Fábrica de Dengo _Torra

O propósito dos sócios, Estevan Sartoreli; egresso do marketing da Natura e Guilherme Leal, fundador da multinacional de cosméticos e investidor da Dengo; pra mim já fazia todo o sentido.

Capacitar o produtor, pagar o melhor preço do mercado, contribuir para a transformação da vida de cada um, provando que eles podiam sim viver das suas terras.

"É possível fazer diferente e criar modelos sustentáveis, que compartilham valor em sua cadeia", afirma Sartoreli.

Fabrica de Dengochef Sanae Mattos, Luciana Lobo (chocolatiére) e Estevan Sartorelli (cofundador da Dengo)

Dengo Hoje

Eu ia falar da minha visita na nova Fábrica de Dengo…

as, antes de mais nada, é bom informar que a marca já conta com cerca de 200 pequenos e médios produtores de cacau do sul da Bahia.

Todos passam por criteriosa avaliação de seu cacau pelo laboratório do Centro de Inovação do Cacau (CIC), em Ilhéus (BA), a fim de receberem remuneração entre 70% a 160% acima do mercado, conforme a qualidade do produto.

Hoje, a Dengo possui 19 lojas físicas em São Paulo (SP), Barueri (SP), Campinas (SP), Sorocaba (SP), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF) e Curitiba (PR), bem como os canais e-commerce (dengo.com.br), WhatsApp e iFood.

Fábrica de Dengo _fachada

Fábrica de Dengo – o projeto

Enfim, chegamos então à minha visita na Fábrica de Dengo, que acaba de inaugurar em Pinheiros.

Logo por fora, avistei um edifício diferente – que possui 4 pavimentos e 1500 m² de área construída – afinal, é o primeiro em solo brasileiro erguido em madeira engenheirada. Projetado por Matheus Farah e Manoel Maia, da MFMM Arquitetura e executado em parceria com a Amata Brasil.

O CLT (sigla em inglês para cross laminated timber) e o MLC (madeira lamelada colada) são técnicas modernas e inovadoras da construção civil. Lâminas de eucalipto e pinus provenientes de áreas de reflorestamento, com certificação FSC, dão origem a grandes painéis com alta capacidade de suporte de carga.

"As peças chegam à obra prontas para ser encaixadas, proporcionando uma significativa redução de resíduos. É uma obra limpa", afirma Manoel Maia.

O piso dos pavimentos internos foi revestido de caquinhos de cerâmica vermelha, material que faz parte da memória afetiva do paulistano, bem como remete ao Quebra-Quebra, chocolate vendido em placas que é um dos ícones da Dengo.

Dengo Chocolates _Bolo DengoBolo Dengo

Começa a Visita!

Desde já informo, assim que a porta se abrir, pode ser que seus olhos se percam. Eu, por exemplo, não consigo lembrar para onde olhei primeiro.

O cheiro de chocolate invade as narinas e o espaço é tão lúdico, que te pede um respiro para absorver o todo.

Talvez você vire à esquerda e vá para a loja com uma coleção completa dos produtos da Dengo. #ficaadica não faça isso, não queime a largada!

Ou então, vire à direita, despertado por uma ilha de café, que logo revela uma tentadora vitrine de doces (o problema é escolher! – falarei deles adiante) e um sofá com mesinhas, que remetem à reflexão: preciso pausar meu tempo e respirar um pouco, porque eu mereço!

Dengo Chocolates _Xodo de CupuaçuXodó de Cupuaçu

Entretanto, o que eu fiz e sugiro que também faça, é ir em frente!

Porque, em primeiro lugar, você terá uma oportunidade única de conhecer todo o processo de fabricação do chocolate bean to bar – da amêndoa do cacau até a barra.

Hoje, mais do que nunca, é fundamental que nós consumidores entendamos o processo de tudo que consumimos.

Porque é no processo que vamos descobrir como tudo é feito, que ingredientes são utilizados (quantos são de verdade ou de mentira), qual a origem desses ingredientes (como são plantados, encontrados ou criados), que impacto ambiental causam e, enfim, como é a qualidade de vida dos seres humanos que produzem tais alimentos.

Vídeo da minha visita na fábrica

Fábrica de Dengo

Ilustrando o passo a passo de um chocolate que é produzido da amêndoa até a barra, um guia te conduzirá, inicialmente, a origem do cacau.

Existe, inclusive, um pé de cacau embalsamado, a fim de que você possa saber como é.

Dessa forma, o atendente falará dos produtores, da colheita, quebra, fermentação e secagem – processos que ocorrem ainda nas fazendas.

A colheita é manual e tem tempo certo para acontecer, a fim de preservar a qualidade do cacau.

Na quebra, se separa a semente da casca, bem como se obtém o mel do cacau.

A fermentação desenvolve as características de sabor.

A secagem perfeita assegura então a textura do futuro chocolate.

Outro ponto muito importante é que esse cacau é produzido no sistema cabruca.

"Cabruca" é um sistema agroflorestal que maneja culturas à sombra das árvores nativas da Mata Atlântica. Ou seja, o cacau é plantado dentro da mata.

Assim, não só preserva a floresta, como também aproveita dela todo o sabor que aquele pedaço de terra, cheio de outras árvores e formas de vida, pode lhe dar, o chamado: terroir!

E porque isso é importante?

Porque existe também um outro sistema chamado "derruba total", que é exatamente isso que você está imaginando. Derrubam toda a floresta para plantar cacau.

Enfim, por isso que eu acho tão fundamental conhecer o processo de tudo que a gente consome.

Dengo Chocolates _Xodo de CacauXodó de Cacau

Do cacau ao chocolate

Depois que o cacau foi muito bem cuidado pelo produtor, chega então na fábrica, em sacas, para o início da produção do chocolate.

A partir das características das amêndoas de cacau, os técnicos definem como será a torra, que elimina toda a umidade e contribui para o desenvolvimento da cor, aroma e sabor.

Posteriormente, as amêndoas são descascadas, passam para a moagem e se transformam nos deliciosos nibs de cacau, já disponíveis para consumo.

Os nibs seguem então para o refino, conchagem e temperagem.

Fábrica de Dengo _Nibs de cacau

Dessa forma vão sendo quebrados em partículas menores, até se transformarem na manteiga de cacau e na torta de cacau (cacau em pasta).

Ambas serão utilizadas, em composições diferentes – adicionadas ou não de outros ingredientes – para o preparo dos chocolates com diversas % de cacau. Inclusive o branco, que só leva manteiga de cacau.

Finalmente, o chocolate transforma-se naquele líquido que dá vontade de beber na fonte (spoiler: tem várias delas no primeiro andar!).

Em seguida temos a fase da moldagem, onde o líquido pode ganhar ou não, recheios e coberturas, transformando-se em sólidos bombons, barras, doces, etc.

Na Fábrica de Dengo você vê a torra e o circuito das amêndoas de cacau por dutos transparentes passando pelas diversas fases até chegar em seu destino inevitável. Uma máquina de prensagem original da década de 1940, que foi restaurada e funciona para hipnotizar pessoas, inegavelmente tentadas por aquele líquido sedutor.

Fabrica de Dengo _CacauiCacauí

Primeiro Piso

Hora de subir! Primeira parada um "Berçário de Bombons".

Assim como no berçário, você poderá babar apenas do lado de cá do vidro. Mas não se preocupe, os bombons que saem dessa mini produção são vendidos na loja.

Siga em frente! Lembra que eu te falei das fontes de chocolate?

Então, elas estão a poucos passos na Estação Meu Dengo. Das torneiras jorram chocolates com 36%, 58%, 65% sem açúcar e 70% de cacau.

Vídeo da produção da minha barra de chocolate personalizada

Chegou o momento de produzir sua própria barra:
  1. Escolha recheios e coberturas, entre diversas opções. Eu selecionei: crocante de biju, cupuaçu glaceado e nibs de cacau.
  2. Decida de qual das fontes virá seu chocolate. Pedi 58%.
  3. Em seguida, uma atendente misturará o chocolate com os recheios escolhidos. Desculpe, mas só ela terá acesso direto às fontes #chatiado .
  4. Depois levará para uma fôrma, que irá para trepidação (a fim de homogeneizar a barra), enquanto espalha as coberturas.
  5. Por fim, seu chocolate vai passar por uma esteira para endurecer e será embalado em papel metálico.
  6. Sua criação ainda não terminou! Hora de escolher e personalizar a embalagem da sua barra. Tem papel, fita, carimbo, frases…, dá até pra tirar uma foto e estampar sua cara sorridente no papel de embrulho.

#ficaadica enquanto espera a secagem do chocolate, pode provar um sorvete preparado pela Márcia Garbin, uma das maiores especialistas no assunto proprietária da imperdível Gelato Boutique .

Minha dica é o soft cream Cacauí. Da máquina sai uma inesquecível mistura de polpa e mel de cacau, doce na medida, sujeita a repetecos.

Fabrica de Dengo _BrigadengoBrigadengo

Suba mais!

O segundo piso é inspirado no litoral da Bahia.

Além do restaurante e do bar (especializado em drinques de ingredientes brasileiros) com varanda e mesas ao ar livre, abriga também uma pequena adega montada com vinhos nacionais, mesa para confraternização e sala de aula para cursos e degustações.

A Biblioteca do Chocolate oferece produtos bean to bar de outros fabricantes brasileiros.

Por fim, no terceiro piso, funciona um terraço aberto com redário. Quando eu fui ainda não estava aberto. Difícil será achar uma rede "meu rei"!

Fábrica de Dengo _Cafe RelaxaRelaxa – Café da manhã

Gastronomia na Fábrica de Dengo

Primeiramente, todos os chocolates da Dengo foram criados pela premiada chocolatiére Luciana Lobo, que trabalha com a marca, desde o início do projeto.

Os cardápios do restaurante, do café e da confeitaria couberam à chef Sanae Mattos, formada pelo Senac com especialização pela École Lenôtre, em Paris.

Filha de pai baiano e mãe sergipana, a chef celebra os sabores nordestinos nas suas criações. Entre elas:

Fabrica de Dengo _Cuscuz CovoCuscuz C´ôvo (R$18) – aquela comida que lembra mãinha. Cuscuz com ovo caipira servido com nata e queijo coalho grelhado.

Painho (R$35) – Pão douradinho com muito queijo e carne seca refogada na manteiga de garrafa.

Mãinha (R$35) – tudo que Painho tem com uma graça a mais, um ovo quentinho.

E já que é pra lembrar a Bahia, tem Pão Delícia (R$11) – aquele pão fofinho de festa. Servido tostado com geleia de manga e creme de queijo.

Fabrica de Dengo _Gaitada sanduicheGaitada

Quer sanduíche? O Gaitada (R$35) leva pão, costela de porco desfiada, miniagrião e molho defumado de chocolate. Acompanha lascas de mandioca.

Aos finais de semana das 8h às 14h, o café da manhã pode ser reforçado. Entre as sugestões, o Relaxa (R$57): pão delícia acompanhado de geleia e creme de queijo, bolo do dia, frutas com iogurte e granola da casa, suco de laranja e café.

Fábrica de Dengo _Salada CabrucaSalada Cabruca

Pratos

À princípio, prove a Salada Cabruca (R$30), que é supreendentemente boa! Seleção de folhas especiais, PANCs, lascas de queijo Pardinho com melaço de mel de cacau e castanhas de caju caramelizadas.

Fabrica de Dengo _Nhoque com Banana da TerraNhoque da Terra

Opção vegetariana é o Nhoque da Terra – feito com banana-da-terra salteado na manteiga de garrafa e sálvia.

De 3a a 6a feira, das 12h às 15h, tem Prato do Dia (R$59). Na 4a feira eu provei um suculento Peixe em crosta de coco fresco e purê de ervilha.

Fabrica de Dengo _PeixePeixe em crosta de coco fresco e purê de ervilha

Confeitaria

Igualmente impossível é sair de lá sem passar na confeitaria.

Como não comer um Brigadengo (R$4) – Brigadeiro coberto com nibs de cacau. Ou, então, um Bolo Dengo (R$18) – recheado em camadas com diferentes ganaches de chocolate 36%, 58% e 75% e finalizado com nibs de cacau.

Quem me acompanha sabe que eu amo doces! Decerto, na próxima visita vou acrescentar ao meu repertório, o Xodó de Cupuaçu (R$12) – tortinha de cupuaçu com chocolate e o Lampião e Maria Bonita (R$14) – tortinha cremosa de queijo e goiabada.

Fabrica de Dengo _Bolo Dengo e CafeBolo Dengo, Café e Pepitas

Pra beber

Entre as opções quentes, um café coado microlote de pequeno produtor servido no Bule 70ml (R$8). Quer drink? Pede o Gaiato (R$20) – café, doce de leite, espuma de leite, paçoca e cacau em pó.

No quesito bebidas frias, apaixonei pelo Ilhéus ( R$22) – frozen de cacau e melaço de cacau. Entretanto, se quiser algo mais "líquido" peça o Trancoso (R$22) – umbu com água de coco e capim santo.

Data da minha visita dezembro/2020

Fabrica de Dengo _Drink IlheusIlhéus

fotos: Fábio Nunes 

Serviço

Fábrica de Dengo

Site

Instagram

Avenida Brigadeiro Faria Lima, 196, Pinheiros, São Paulo



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Tujuína Restaurante

Posted: 30 Oct 2020 05:43 AM PDT

A hora do Tujuína Restaurante!

Falamos bastante em novos tempos, novos desafios, a necessidade de se reinvertar, etc. Porém, quantos conseguem sair do discurso para a prática?

Tujuína Restaurante

É preciso muita, mas muita coragem para tomar a atitude do chef Ivan Ralston. Fechar, temporariamente, o seu premiado restaurante Tuju e então abrir no mesmo local um novo restaurante, o Tujuína.

Porquê?

Porque, antes de mais nada, o Tuju garantiu duas estrelas Michelin ao chef e o reconhecimento do trabalho pela crítica e público.

Logo, fechar o restaurante que lhe deu fama e abrir um novo, mudando a cozinha para uma proposta mais casual e antenada com o momento particular em que vivemos, foi um projeto, no mínimo, audacioso.

Tujuína Restaurante

Ter a ousadia de recomeçar, não sabendo como o seu público ou a crítica reagiriam à nova fase e deixar as tão preciosas estrelas que, por ora, se foram é motivo de admiração da minha parte.

Isso posto, devo informar que você deve sim conhecer o novo Tujuína!

O chef e sua equipe continuam afinados na delicadeza, frescor e técnica dos pratos que chegam à mesa.

Não é preciso compará-lo com o irmão mais velho para assim, entender o quanto ele é bom e será sim, reconhecido pela crítica e público exatamente por suas qualidades únicas.

Tujuína Restaurante

Tujuína Restaurante

No novo Tujuína compartilhar é parte importante da experiência! Assim, confesso que provei muitas coisas!

Couvert:

Pão de abóbora com manteiga e azeite Borriello (R$18) – o status de pão com manteiga foi atualizado com sucesso!

Aperitivo:

Coxinha de galinha d'angola (5 unidades – R$ 28) – crocância é a palavra-chave para cada "nhac".

Tujuína Restaurante

Entradas:

Ostra com vinagrete de papaia verde (6 unidades – R$ 48) – frescor, frescor, frescor!

Aguachile de vieiras (3 unidades – R$ 64) – saborosa bocada direto da concha com combinação de abacate, alga wakame, pimenta dedo de moça e sementes de maracujá vermelho.

Ravióli de alcachofra com botarga (R$ 58) – A botarga – ova de peixe salgada e seca – dá acabamento ao delicado ravioli de alcachofra.

Tujuína Restaurante

Pratos:

Macarrão de comitiva de lula (R$ 90) – Em uma travessa chega, em pequenos pedaços, o macarrão fininho e crocante, envolto num suave e adocicado molho de tinta de lula. Por cima, lulas extremamente macias!

Para Compartilhar:

Garoupa na brasa com banana e salada de ervas (R$ 178).

Atração da casa o peixe, preparado ao estilo escama de dragão, é de produção ecológica montada por uma empresa norueguesa em Ilhabela (SP).

No processo de preparo Ivan utiliza uma técnica aprendida no Japão.

Dessa forma as escamas retiradas do peixe, são fritas e retornam "coladas" com o auxílio de uma pasta de arroz pilado.

Finalizada na brasa e levada à mesa com aparência de poucos amigos, a garoupa tem suculência e sabor únicos.

Tujuína Restaurante

Para finalizar:

Pingado – sobremesa de café com leite (R$ 32) – Então! Só mergulha comigo nessa xícara cremosa, crocante e cafeinada sem medo de ser feliz!

Serviço

Tujuína
Rua Fradique Coutinho, 1248 – Vila Madalena – São Paulo, SP
+ Informações e reservas acesse o site  ou então o Instagram

———————————————————————————————–

Enfim …

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